sábado, 30 de março de 2013

CRÔNICA

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO 
SUBSECRETARIA DE GESTÃO DE ENSINO
SUPERINTENDÊNCIA PEDAGÓGICA
DIRETORIA REGIONAL METROPOLITANA I








I. Plano de Aula: Data: 2013

II. Dados de Identificação:
Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA                                                Série:  9º ANO EF      


III. Currículo Mínimo:
- Distinguir texto ficcional e não-ficcional; fato e opinião.
Matriz de Referência:

D14 - Distinguir um fato da opinião relativa a este fato.



IV. Objetivos: 
Levar ao aluno a distinguir um fato da opinião relativa a ele.
 V. Conteúdo:

CRÔNICA

VI. Desenvolvimento do tema

Leitura do texto: "A Última Crônica", de Fernando Sabino.



  A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café   junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.
                                
                                    
  A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência,    que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de
esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
                                    
                                    
     Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
                                    
       Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu  lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão  apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
                                    
        A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O  pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
                                    
       São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta  caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola,  o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra  com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa.
    A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura --  ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido -- vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
                                    
        Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. 
Fonte: Caderno do professor - CRÔNICAS - OLP

Identificar os elementos do enredo: Apresentação, complicação, clímax e desfecho;
Identificar narrador, foco narrativo, espaço, tempo, personagens e conflito.
Distinção de texto ficcional e não-ficcional; fato e opinião;
Reconhecimento da importância da crônica.

  1. Observe as afirmativas a baixo e a seguir marque a alternativa que apresenta as características deste gênero:
             I.        O narrador é o próprio autor do texto que é uma história real e não fictícia.
            II.        O fato principal é um acontecimento do cotidiano, algo que não damos muito valor, mas o autor explora com riquezas de detalhes.
           III.        A linguagem utilizada nesta crônica é formal.
a)    Todas as alternativas estão corretas.
b)    Apenas a alternativa II está correta.
c)     Apenas a alternativa III está correta.
d)    As alternativas I e II estão corretas.
e)    As alternativas II e III estão corretas.
  1. Ainda sobre a crônica que acabamos de ler responda:
a)    Em que espaço se passa a história narrada?
______________________________________________________________.
b)    Qual o fato do cotidiano que desperta a atenção do autor?
_______________________________________________________________.
c)     Qual a reflexão feita pelo autor? A que conclusão ele chega?
________________________________________________________________.
Fonte dos exercícios:(http://falandonissolp.blogspot.com.br/2012/03/exercicios-para-o-7-ano.html)


1)Em que parte do texto, o autor afirma que os homens do seu tempo são o assunto de suas crônicas?
2)Qual é a cena que o autor vê? Quais são os personagens que dela participam?
3) Há no texto uma passagem que denota claramente a pobreza dos personagens.Qual? Comente-a.
4) Que sentimentos o autor expressa para com a personagem-menina, ao usar os diminutivos - arrumadinha, negrinha, menininha, fitinha -? Qual será a intenção do autor?
5)Qual a passagem do texto que mostra o desprezo do dono do botequim para com a família?
6)O que a passagem acima relacionada suscitou em você?
7) Comente a última frase do penúltimo parágrafo.
8) Que tipos de sentimento este texto despertou em você?
9) Qual a mensagem que este texto trouxe?
10) Como você explicaria o último parágrafo?

Fonte da interpretação: (http://www.profeneida.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=78:interpretacao-1-a-ultima-cronica&catid=72:textos&Itemid=142)
Atividades:
1) Que tipo de narrador o texto “A última crônica” apresenta? Justifique sua resposta.
2) Retire do primeiro parágrafo as informações abaixo:
a) Quem entra no botequim?
b) Onde fica o botequim?
c) Em primeiro lugar, entra no botequim para quê?
d) Na verdade, o que ele faz nesse lugar?
e) o que ele deseja?
3) Sobre o trecho: “Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade.”, responda:
a) Quem são esses “três esquivos”?
b) Onde eles estão?
c) Levante hipóteses a respeito do que eles estão fazendo ali.
4) O que o pai pede ao garçom?
5) No trecho “A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom.”, explique a ansiedade da mãe ao esperar a aprovação do garçom.
Por que o garçom não aprovaria o pedido do pai?
6) Observe que ao descrever a cena que está diante dos olhos, o narrador-personagem questiona: “Por que não começa a comer?” Por quê? Levante hipóteses.
7) Em “Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual.”, a expressão destacada será revelada mais adiante. O que representa esse ritual? Quais são os elementos que compõem esse ritual?
8) Explique o que sentiu o narrador-personagem quando o pai sorri para ele.
“Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.”

Fonte: (3ª aula- http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=14871)
VII. Recursos didáticos:
Livro de coletânea de crônicas, crônicas trazidas pelos alunos, xerox, quadro.
VIII. Avaliação:

Questões de interpretação sobre a crônica lida e simulado do Saerj com questões que trabalhem o descritor. No Banco de Itens existem 4 questões de nível médio e 9 de nível difícil, basta acessar o banco pelo link no lado direito do blog. Usuário (matrícula) Login (cpf).

XIX. Bibliografia:
Caderno do professor - CRÔNICAS - OLP
http://falandonissolp.blogspot.com.br/2012/03/exercicios-para-o-7-ano.html
http://www.profeneida.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=78:interpretacao-1-a-ultima-cronica&catid=72:textos&Itemid=142
3ª aula- http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=14871 
X. Elaboradores do Plano:
Bianca de Barros Campos (CIEP 359 CHARLES PERRAULT)
Marisete B. Silva (CIEP 187 BENEDITO LARANJEIRAS)
Carla Frederichs Fernandes Braz (CIEP 324 MAHATMA GANDHI)
Juliana B. de Souza (CIEP 324 MAHATMA GANDHI)
Juliana Goulart Barroso (CIEP 324 MAHATMA GANDHI)

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